Associação das Agremiações de Frevo de Olinda se manifesta sobre atividades das baterias de samba na cidade
Foliões de Olinda se queixaram do uso de baterias no carnaval da cidade; Associação das Agremiações de Frevo emitiu nota nas redes sociais reforçando a crítica
Publicado: 10/02/2026 às 12:04
(Hugo Muniz/Divulgação)
Nos últimos dias, foliões de Olinda vem se queixando da utilização de baterias no Sítio Histórico, afirmando que descaracterizam a identidade carnavalesca da cidade.
O assunto se tornou centro de fortes discussões nas redes sociais e a Associação das Agremiações de Frevo de Olinda emitiu uma nota destacando a importância do frevo como patrimônio imaterial da humanidade e criticando a interferência desses instrumentos nos espaços conhecidos pela tradição pernambucana.
"O frevo arrasta multidões nas ruas estreitas da cidade, nascido e criado com uma formação musical própria para execução acústica, sem a necessidade de amplificação mecânica. As orquestras desfilam há mais de um século em harmonia com os modos de vida do Sítio Histórico de Olinda", diz a nota, publicada nas redes sociais.
A associação prossegue: "A crescente presença de baterias de samba com paredões de som de alta potência, além de descaracterizar o ambiente sonoro do Carnaval olindense, interfere diretamente no desfile das agremiações tradicionais, atropela os pulmões acústicos dos músicos das orquestras, bloqueia cortejos históricos de forma inadvertida, ameaça o patrimônio material em razão da potência sonora e agride o mais aclamado patrimônio carnavalesco de Pernambuco: o frevo".
A manifestação salienta que não está propondo uma disputa entre culturas, mas uma adequação ao local e à proteção do patrimônio material e imaterial. "Todo mundo é bem-vindo em Olinda, desde que respeite os modos de fazer do anfitrião responsável por tornar esse Carnaval conhecido no mundo", afirma o texto. "O frevo é código-fonte do Carnaval pernambucano. É algo que nos torna únicos no planeta. Nossa impressão digital".
A nota encerra: "Da madeira que o cupim foge do cheiro, é feito o frevo. Eterno!".