° / °
Vida Urbana
ESTUPRO

Tornozeleira e suspensão da PM: veja medidas impostas a subtenente acusado de estupro em batalhão

Justiça revogou a prisão preventiva do acusado em 21 de janeiro

Diario de Pernambuco

Publicado: 28/01/2026 às 14:39

Mulher denunciou ter sido estuprada em posto do BPRv no Cabo/Reprodução/Google Street View

Mulher denunciou ter sido estuprada em posto do BPRv no Cabo (Reprodução/Google Street View)

A Vara da Justiça Militar Estadual, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), determinou o cumprimento de uma série de medidas cautelares ao revogar a prisão do subtenente da Polícia Militar (PM) Luciano Valério de Moura. O subtenente é cusado de estuprar uma mulher em posto do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife.

Na decisão à qual o Diario de Pernambuco teve acesso, o juiz Francisco de Assis Galindo de Oliveira estabeleceu cinco medidas cautelares:

  •  monitoramento eletrônico, cujo equipamento deverá ser instalado e mantido pelo acusado durante o curso do processo;
  •  suspensão do exercício da função pública, com o consequente afastamento das atividades, na Polícia Militar, até o julgamento final do processo;
  •  proibição de manter contato com a vítima e as testemunhas do processo, por qualquer meio;
  •  comparecimento mensal em Juízo, até o dia 10 de cada mês, para informar e justificar suas atividades;
  •  proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial.

Segundo a decisão, os advogados do policial pediram a revogação da prisão preventiva ao final de audiência, sob o argumento de encerramento da instrução processual. O representante do Ministério Público se manifestou favorável ao pedido.

Por maioria de votos (4x1), o Conselho Permanente de Justiça decidiu pelo acolhimento do pedido da defesa.

"Este Juiz de Direito, como presidente do colegiado, cumpre dar efetividade à vontade da maioria", escreve o magistrado. A revogação da prisão foi assinada em 21 de janeiro.

O caso

Em outubro de 2025, uma mulher denunciou o subtenente por estupro. Segundo o relato, o crime teria ocorrido durante uma abordagem policial pelo BPRv no Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife.

De acordo com a denúncia, a mulher seguia de carro com uma amiga e as filhas em direção à praia de Gaibu, quando o veículo foi parado em uma blitz. Durante a fiscalização, um dos policiais verificou a documentação e informou que o sistema apontava o não pagamento do licenciamento anual, o que poderia resultar na apreensão do automóvel.

A condutora relatou que havia comprado o veículo recentemente e desconhecia a pendência. Ela entrou em contato com o vendedor, que informou que só poderia regularizar o débito três dias depois. Em seguida, conforme a denúncia, um dos policiais a conduziu até o posto do BPRv, informando aos demais ocupantes do carro que a mulher iria “beber água”.

Ainda segundo o relato, ao entrar no prédio, ela foi levada a um quarto, onde teria sido forçada a praticar sexo oral no policial e oferecido águia para eliminar as provas.

Após a abordagem, a mulher foi liberada e seguiu para a casa de um familiar. No sábado seguinte, procurou a Delegacia da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, onde formalizou a denúncia. Na unidade, ela reconheceu o policial por meio de fotografia e entregou as roupas para perícia, mas não realizou exame de corpo de delito.

O inquérito policial ouviu os outros dois policiais militares que participavam da blitz, um soldado e um sargento. Ambos afirmaram ter visto a vítima sair do posto policial com um copo de água na mão, acompanhada pelo subtenente.

O policial denunciado não compareceu para prestar depoimento na data inicialmente marcada, alegando que havia sofrido uma queda no fim de semana anterior.

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas