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Aumento da passagem: passageiros devem pagar mais caro para usar ônibus velhos e sem ar-condicionado

Em meio à frota deficiente de refrigeração e envelhecida, o passageiro de ônibus do Grande Recife poderá pagar até R$ 0,20 mais caro na passagem em 2026

Nicolle Gomes

Publicado: 14/01/2026 às 13:22

O valor do bilhete único, usado por 99% dos passageiros do Grande Recife, pode chegar a R$ 4,50 em 2026/Fotos: Priscilla Melo/Arquivo DP

O valor do bilhete único, usado por 99% dos passageiros do Grande Recife, pode chegar a R$ 4,50 em 2026 (Fotos: Priscilla Melo/Arquivo DP)

Em meio à expectativa do aumento da passagem de ônibus no Grande Recife, uma realidade se mantém: a precariedade do transporte público. Cerca de 1,3 milhão de passageiros dos coletivos deverão, em breve, pagar mais, para continuar usando ônibus sem refrigeração e velhos.

Com o reajuste proposto pelo governo, o bilhete único, usado por 99% dos passageiros do Grande Recife, pode chegar a R$ 4,50. A proposta leva em conta o índice de inflação acumulado entre novembro de 2024 e dezembro de 2025, e pode configurar um aumento de até 4,5%.

Apesar do aumento, que deve ser confirmado na quinta (15), em reunião do Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), o sistema é alvo de questionamentos do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).

Segundo o órgão, a frota está em "quadro crítico". Em novembro do ano passado, um levantamento do MPPE apontou que a continuidade da deterioração dos veículos pode elevar para 70% o número de coletivos que estarão fora da vida útil até o fim deste ano.

O Grande Recife Consórcio, gestor do sistema, informa que mais de 83% dos ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) não têm ar-condicionado. Dos atuais 2.462 ônibus em circulação, apenas 401 contam com refrigeração.

Além disso, 41,8% dos coletivos estão fora da vida útil, com mais de sete anos em operação, tempo máximo de operação de ônibus convencionais, segundo a gestão do sistema. Atualmente, a média de idade dos veículos da frota da RMR é de 6,20 anos. Todos os dados são do Grande Recife Consórcio.

Recomendação

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou, no último mês de novembro, que o Grande Recife Consórcio de Transporte tomasse providências urgentes para reverter a situação dos ônibus. 

Na ocasião, o órgão cobrou a retirada da frota antiga de circulação em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, além da adoção de medidas para renovação dos veículos na Região Metropolitana da Capital.

Dados

Segundo o MPPE, dados recebidos pelo órgão apontam que um em cada três ônibus da RMR circula acima do limite de vida útil definido em lei, chegando a mais de 50% em algumas empresas.

A situação, de acordo com a pasta, viola diretrizes de segurança e manutenção. A renovação, conforme as regulamentações, deveria ser feitas com veículos acima de 8 anos (convencionais) e 10 anos (articulados/BRTs).

Algumas empresas chegam a ter mais de 50% dos veículos circulando com a frota envelhecida. O MPPE destacou a Caxangá, com 59,70%; a Metropolitana, com 57,35%; e a Viação Mirim, com 56,52%.

Essa conduta “compromete a segurança, a continuidade e a eficiência do serviço público essencial”, apontou o MPPE na expedição.

O Promotor de Justiça responsável pela recomendação, Leonardo Brito Caribé, ponderou, ainda, que a falta de renovação torna o sistema vulnerável a falhas graves e ao risco de novas interrupções semelhantes ao encerramento das atividades da Empresa Vera Cruz.

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