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Carlos Veras: "O rumo que nós tomaremos será o que vai ser melhor para o presidente Lula"

Em entrevista ao Blog Dantas Barreto, Carlos Veras disse que vai trabalhar para fortalecer a sigla, eleger deputados estaduais e federais, garantia reeleição do senador Humberto Costa, bem como a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Blog Dantas Barreto

Publicado: 08/07/2025 às 09:02

Deputado Carlos Veras /Foto: Blog Dantas Barreto

Deputado Carlos Veras (Foto: Blog Dantas Barreto)

Já considerado presidente eleito do PT de Pernambuco, o deputado Carlos Veras assumirá o cargo em setembro, tendo como missão cuidar do partido já visando às eleições de 2026. Em entrevista ao Blog Dantas Barreto, ele disse que vai trabalhar para fortalecer a sigla, eleger deputados estaduais e federais, garantia reeleição do senador Humberto Costa, bem como a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado sobre quais alianças que o PT fará no Estado, Carlos Veras afirmou que os acordos serão firmados conforme o que seja melhor para Lula. O deputado também fez uma avaliação do cenário nacional e disse que o Governo Federal precisa dialogar mais para superar as dificuldades que vem enfrentando, principalmente, no Congresso Nacional.

Blog Dantas Barreto: Presidente Carlos Veras. Já pode ser chamado assim?

Carlos Veras: A gente está com um percentual em de torno de 93% dos votos válidos. Então, isso já nos dá uma segurança e uma certeza da vitória, com muito respeito ao meu companheiro Fernando Ferro, que é uma grande referência política pra gente. Estou muito feliz e muito grato pelo reconhecimento da militância do PT, das lideranças, das forças políticas que construíram essa grande unidade em torno do nosso nome, para presidir o PT no Estado de Pernambuco.

Faz tempo que o PT não disputa uma eleição para o Governo do Estado, só elegeu seis prefeitos em Pernambuco em 2024 e na Federação com PCdoB e PV só o senhor representa o partido na Câmara Federal. É preciso rever essa federação e a forma como o PT faz a política no Estado?

Veras: No Recife, a única eleição que nós não disputamos foi a de 2024. Se decidiu fazer um aliança com a participação na vice pela Federação Brasil da Esperança, com Vitor Marques pelo PCdoB. Nós somos uma federação de três partidos. Mas o que a gente precisa é melhorar a nossa atuação dentro da federação, a gente precisa é fortalecer o PT e ter capacidade de aglutinar e de priorizar as candidaturas. Não dividir o partido, multiplicar as candidaturas e não ter foco. Eu vou trabalhar incansavelmente para fortalecer a Federação Brasil da Esperança, mas também vou trabalhar fortemente para poder ampliar a bancada de deputado estadual, ampliar a bancada federal, reeleger o senador Humberto Costa e o presidente Lula. É bom lembrar que no tocante à Federação, a direita e o Centrão estão federalizando. O presidente Lula tem defendido que a gente consiga atrair outros partidos do campo popular, da esquerda, para fazer uma federação maior. Então, a gente precisa discutir o regulamento, o funcionamento da federação e ampliar. E a gente ter uma frente de esquerda cada vez maior para poder ampliar nossa bancada.

E no caso dos prefeitos, o que precisa ser feito?

Veras: Nas eleições municipais, nós saímos de quatro para seis prefeitos. Mas é bom lembrar que nós elegemos 13 vice-prefeitos e mais de 120 vereadores. A gente teve um aumento no Legislativo, no Executivo e com presença feminina muito forte. Ainda é pouco para o tamanho que é o PT, pelo que representa, pela vontade que têm os pernambucanos de votar no PT. A gente só vai conseguir ampliar o número de prefeitos fortalecendo as nossas lideranças locais, fazendo um processo de formação, de integração, fortalecendo as ações dos municípios e atraindo lideranças que tenham muita sintonia com o que defende o PT. Não com pessoas que vêm apenas para disputar eleição. A gente tem que valorizar quem está dentro do PT, que vem até hoje construindo. Temos que dar as condições, incentivar e valorizar.

Quanto a falta de candidatos a Governo do Estado?

Veras: Nós não disputamos as eleições para o Governo do Estado, não por vontade nossa. Em Pernambuco, tivemos a possibilidade real de, em 2018, eleger uma governadora do PT, que seria a companheira Marília Arraes. Nós não tivemos a candidatura dela, não por vontade dos filiados de Pernambuco, mas por uma decisão da nacional, uma decisão do presidente Lula, que precisava fortalecer a candidatura à Presidência da República do companheiro Fernando Haddad. Em 2022, nós tínhamos a possibilidade real, o melhor candidato para o Governo de Pernambuco, que era o senador Humberto Costa. Havia possibilidade real de ganhar eleição no primeiro turno, mas de novo fizemos uma aliança, por conta de um processo nacional, porque a prioridade era a eleição do presidente Lula. Com a gente enfrentando fascismo, a intolerância, todo aquele ataque, era importante fazer um processo de aglutinação de forças e o senador Humberto Costa não foi candidato à governador. A gente conseguiu, mediante a força do partido, colocar o nome de Teresa Leitão como candidata ao Senado e ganhamos eleição com mais de 50% dos votos em Pernambuco. Isso mostrou claramente a vontade e o desejo do povo de Pernambuco de votar numa candidatura majoritária do PT. Então, tem esse sentimento, tem essa vontade, mas não podemos caminhar em Pernambuco sem ter sintonia com a direção nacional, sem estar em sintonia com o presidente Lula. O que a gente precisa fazer é aglutinar forças, fortalecer o partido, ter interlocução nacional e isso eu tenho com o presidente Lula, com o nosso futuro presidente nacional do PT, o companheiro Edinho Silva, com a direção nacional, para a gente poder construir juntos os caminhos em Pernambuco. Não tenho dúvida de que um dia o PT vai governar Pernambuco. A gente tem que saber esperar a hora e não atrapalhar o nosso projeto nacional. Nós temos uma eleição difícil, muito polarizada em 2026, e a nossa prioridade é a reeleição do presidente Lula, são as eleições no Senado e tem a prioridade que é o nosso companheiro Humberto Costa.

E como fazer isso?

Veras: A gente tem que estar forte, com presença de base. Vamos rodar o Estado de Pernambuco para discutir o que nós queremos para o Estado, quais são as nossas propostas na saúde, na segurança pública, na educação, na assistência social, na infraestrutura, na mobilidade urbana. Não pode sentar numa mesa para discutir espaços. A gente tem que sentar na mesa discutindo projeto, qual é o compromisso que o candidato a governador vai ter com o projeto do PT, com as bandeiras de luta que o partido defende, os nossos filiados, qual vai ser o compromisso com a nossa plataforma de governo. Acertamos na política, agora vamos construir uma boa chapa para eleger uma boa bancada de estaduais, não só do PT, mas também da federação, e de deputados federais e reeleger Humberto Costa para manter dois senadores do PT por Pernambuco. Somos o único estado do Brasil que tem dois senadores do PT. A gente precisa trabalhar e é isso que eu vou fazer, dialogando, construindo coletivamente com todas as forças políticas e com muita sintonia com o desejo da base. Mas também com muita sintonia com o projeto nacional.

Hoje há duas pré-candidaturas postas ao Governo do Estado. Da governadora Raquel Lyra e do prefeito João Campos. Vai colocar estas propostas para ambos?

Veras: Primeiro, nós vamos apresentar para onde o PT for fazer a aliança no Estado e aos partidos que estiverem conosco. O que a gente precisa é ter um partido forte. hoje é fato que o PSB tem o vice-presidente da República e os nossos companheiros do Recife compõem o governo municipal. É importante a gente debater no partido, conversar com todos os segmentos, com todos os partidos, porque o que eu puder fazer e o que o PT puder fazer para que a gente tenha o maior número de lideranças políticas em Pernambuco votando no Lula, nós vamos fazer. Se todos os palanques, se todos os candidatos a governador em Pernambuco votarem no presidente Lula será excelente. Porque nós temos como prioridade a eleição do presidente Lula, independente de qual palanque ele vai, em qual coligação o PT vai estar. Eu acho que quem quer governar o Estado de Pernambuco tem que primeiro ter a capacidade de reconhecer o que tem feito o presidente Lula. O que ele tem feito por Pernambuco é algo extraordinário, ajudando a todos os municípios, a governadora Raquel Lyra governar o Estado e nunca exigiu dela que se comprometesse com a sua reeleição. Nunca exigiu dela que defendesse o seu governo, mas apenas que executasse os recursos, os investimentos, as obras que o Governo Federal está colocando em Pernambuco. Não tem faltado recurso para Pernambuco, não tem faltado apoio do presidente Lula e de seus ministros. Então, o que a gente espera é reconhecimento daqueles que forem disputar as eleições para o governo. Não tem faltado para Raquel, como não tem faltado para João Campos no Recife. Pergunte a João Campos como foram os dois anos dele com Jair Bolsonaro? Foi perseguição total. Não liberou recursos das encostas para poder ajudar a salvar as vidas do povo do Recife. E Lula, assim que assumiu, começou a liberar os recursos. Seria uma questão de justiça declarar apoio ao presidente Lula, votar e pedir voto pro presidente Lula independente de onde estarão. Em 2022 o presidente Lula veio aqui, subiu no palanque do PSB, de Danilo Cabral a quem o PT estava aliado, mas a companheira Marília Arraes, como candidata a governadora pelo Solidariedade, não deixou um só um minuto de pedir voto para o presidente Lula, mesmo sem Lula pedir voto pra ela.

Em 2006 o presidente subiu nos palanques de Humberto Costa e Eduardo Campos, só que eram dois candidatos de oposição. Agora se fala nessa possibilidade. Mas Raquel é governadora e João Campos faz oposição. Seria possível?

Veras: A realidade e a conjuntura política de 2006 para 2026 são totalmente diferentes. Tem uma candidata à reeleição ao Governo do Estado, que ainda não se pronunciou publicamente sobre o seu desejo de apoiar nacionalmente . Ela é de um partido que está na base do Governo Lula é importante lembrar que o PSD e esperamos que possa estar apoiando a reeleição do presidente já no primeiro turno. A gente trabalha para isso. Vamos conversando com todo mundo e conhecemos o jeito de Gilberto Kassab atuar e fazer política. Acho importante que a gente possa ter o PSD conosco. Tem um ministro, inclusiveque é daqui de Pernambuco, que é André de Paula. Mas realidade é diferente. Em 2006, quem cortou na própria carne foi o PT porque se submeteu e aceitou, mesmo tendo uma candidatura própria, tendo presidente da República do seu partido vindo aqui e fazer dois palanques. Eu não sei se outra liderança política do PT em Pernambuco teria tido a posição que teve o senador Humberto Costa.

A prioridade do PT é a reeleição do senador Humberto Costa. Mas tem que ser obrigatoriamente na chapa do PSB?

Veras: As prioridade do PT são as reeleições do presidente Lula e do senador Humberto Costa, a ampliação das nossas bancadas e federal. Nós vamos fazer uma aliança e vamos construir isso dialogado, construído com o PT nacional, com o presidente Lula, com o nosso presidente Edinho que eu tenho uma relação muito próxima. Não tenho dúvida de que terei total apoio em Pernambuco. Nós vamos construir em Pernambuco em total sintonia com o presidente Lula e com o PT nacional Nacional. Após tomar posse em setembro, vamos montar um Grupo de Trabalho Eleitoral para poder discutir a estratégia política, o fortalecimento e também a montagem das nossas chapa estadual e federal, para começar a discutir o processo eleitoral. O rumo que nós tomaremos será o que vai ser melhor para o presidente Lula, para o que significa ser o melhor para o povo e o desenvolvimento de Pernambuco, para o PT e para a gente poder garantir os nossos objetivos.

Uma candidatura própria do PT ao Governo de Pernambuco estaria descartada?

Veras: Na conjuntura política não é algo que está no horizonte. Mas o PT tem que estar preparado para tudo porque nós temos um projeto nacional. Estivemos preparados em 2018 com uma candidatura própria, mas para aestratégia nacional não foi. Em 2022, nós estávamos preparados. Então, nós temos que estar prontos para fortalecer o PT, mas sem trilhar um caminho que seja diferente do que está pensando a nacional e o presidente Lula. Mas se for vontade, se for desejo do presidente Lula, se for importante para a reeleição dele ter uma candidatura própria aqui em Pernambuco, não tenha dúvida que nós temos quadros suficientes.

O senhor é deputado federal, vive em Brasília. Alguns partidos que compõem o ministério de Lula não dão retorno em termos de votos no Congresso Nacional. Acredita que esses partidos são confiáveis e poderão estar com Lula em 2026?

Veras: Tem que trabalhar para eles estarem com presente Lula. É bom lembrar que dos partidos que estão no Governo tem uns que estavam com a gente no primeiro turno, os que vieram no segundo e os outros que vieram para poder ajudar na governabilidade. Acho que o Governo precisa dialogar mais. As lideranças do Governo têm que dialogar mais com o parlamento. As indicações dos ministros não passam pelas bancadas. Faltou ouvir mais as bancadas nas indicações. Tem que fazer um trabalho direto com algumas lideranças dos partidos e com os próprios partidos. Por exemplo, nós somos do PT e tem vários ministérios do PT, mas não foi reunida a bancada do PT para opinar sobre quem seriam os seus representantes. Sorte da gente que entre os ministros tem deputados federais. Temos uma relação direta com Alexandre Padilha, que é ministro da Saúde, com Luiz Marinho, que a ministro do Trabalho, com Paulo Teixeira, que é ministro do MDA. São deputados que foram eleitos junto com a gente e há essa relação direta. O mesmo foi feito com os outros partidos e pode ter esse fio desencapado. Pode ser que estejam aí alguns problemas que tem que resolver no dia a dia.

Como o senhor pode ajudar nisso?

Veras: Eu tenho me empenhado junto com a ministra Gleisi Hoffman, com o líder José Guimarães, agora como primeiro secretário da Câmara Federal. Tenho me empenhado para ajudar e dialogar com os deputados pra poder aprovar os projetos que são do interesse do povo brasileiro. Não tem nenhuma propositura de lei encaminhada pelo presidente Lula que vá de encontro aos interesses da população, que não seja a favor dos mais pobres. Tem a redução ou isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que é uma questão de justiça tributária. O parlamento precisa votar, não pode fazer guerra política em cima dos interesses e da vontade do povo. A gente tem continuar dialogando, construindo. A população elegeu o Lula presidente, mas não deu a ele a maioria do Congresso. Tem muita coisa para a gente fazer pela frente, para concluir o seu terceiro mandato com muitas ações, com muitos investimentos no Brasil inteiro e ir para o seu quarto mandato com a capacidade de investimento e transformação muito maior.

Falta praticamente um ano para as eleições praticamente. Há tempo para o presidente Lula recuperar a aprovação?

Veras: Primeiro, é uma eleição polarizada. A sociedade está polarizada. Mas todas as pesquisas apontam que presidente Lula que ele ganha eleição no primeiro turno. Não é uma margem grande como ganhou as outras eleições, é uma margem ainda apertada. Infelizmente, o fascismo está em alta. Às vezes a pessoa que estava passando fome, desempregada, com seu comércio sem vender direito, e agora está vendendo, está ganhando mais, mas às vezes por uma questão ideológica ainda não colocou como uma opção o presidente Lula pra continuar. Mas na hora que ela cair na real e ver o que sofreu nos quatro anos anteriores com o governo fascista do Bolsonaro, ela vai cair em si e vai ver que é muito melhor com o governo presidente Lula, porque teve o comércio vendendo mais, teve mais lucro, melhorou a sua condição de vida. A classe trabalhadora também está vendo no dia a dia a diferença de ter o presidente Lula, que melhorou o salário mínimo, voltando até ganho real, que voltou a gerar emprego e renda, que a gente está inclusive com a menor taxa de desemprego da série histórica do país.

Essa estratégia de usar o discurso do pobre contra o rico é o caminho?

Veras: Pobre contra o rico é uma questão de justiça tributária. Eu estou falando não é do rico do Recife ou da periferia, que tem um comércio. Estou falando daqueles que detêm 80% dos recursos desse País. Daqueles que têm capital nas reservas, que não contribuem, que não pagam imposto. Estou falando dos milionários e esses precisam contribuir porque quem paga imposto hoje é o trabalhador, é a trabalhadora. Não dá não dá para só acumular, só sugar o suor do trabalhador e não querer retribuir com a margem tão pequena dos seus lucros líquidos, dos seus saldos absurdos.

Esse rico que o senhor está se referindo não vota no Congresso Nacional. Quem vai votar essa justiça tributária são os deputados e os senadores. Como convencer a maioria?

Veras: O problema é que os ricos não votam no plenário, mas eles financiam quem vota no plenário . Agora quem vota nos deputados é a classe trabalhadora, é 80% da mão-de-obra desse País. Elegem deputados financiados pela elite. Então, eles têm que botar mão na consciência nesse momento e vê se vão votar contra o trabalhador e a favor dos ricos que os financiam. Ou vão pedir a compreensão dos ricos que os financiam, que contribuam com um pouquinho. Mas para isso os trabalhadores precisam se mobilizar, terem a consciência política de mandar um recado. Têm que ir às ruas, à luta de forma respeitosa, mandar um WhatsApp para o deputado, mandar uma mensagem no Instagram, no Facebook, ir atrás do seu prefeito, do seu vereador, da sua liderança no município. Porque quem leva os deputados para serem votados nos municípios são os prefeitos, os ex-prefeitos, os vereadores e as lideranças políticas.

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