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Exército de Israel declara Cidade de Gaza zona de combate perigosa e diz ter localizado corpos de dois reféns

A agência das Nações Unidas alerta que a Faixa de Gaza está num ponto de ruptura

Isabel Alvarez

Publicado: 29/08/2025 às 13:25

Pelo menos seis corpos, incluindo o de uma criança, foram levados ao hospital Al Awda, no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, junto com trinta feridos, declarou Basal à AFP/Foto: Bashar TALEB / AFP

Pelo menos seis corpos, incluindo o de uma criança, foram levados ao hospital Al Awda, no campo de refugiados de Nuseirat, no centro de Gaza, junto com trinta feridos, declarou Basal à AFP (Foto: Bashar TALEB / AFP)

Nesta sexta-feira (29), o exército israelense classificou a Cidade de Gaza como uma zona de combate perigosa, no entanto não ordenou a saída imediata da população, quando Israel ameaça lançar uma grande ofensiva militar contra o Hamas na região.

"A partir de hoje, a pausa tática local na atividade militar não se aplicará à área da Cidade de Gaza, que constitui uma zona de combate perigosa", diz o comunicado dos militares de Israel. As Forças de Defesa de Israel (FDI) indicaram que já começou as operações preliminares e as fases iniciais de um intenso ataque à Cidade de Gaza, acrescentando que estão agora agindo com grande força nos arredores. Apesar dos apelos da comunidade internacional, da ONU e das ONGs humanitárias para que Israel reconsidere a decisão de tomar essa zona que é o maior centro urbano do enclave palestino, devido ao fato de que a ampla incursão causará milhares de baixas e vão deslocar cerca de um milhão de palestinos que estão ali abrigados.

O ministro israelense das Finanças Bezalel Smotrich ainda defendeu mais uma vez a anexação total do enclave palestino se o Hamas não se render, mesmo com a crescente pressão, tanto internacional como interna, para colocar um fim à guerra. Smotrich apresentou na coletiva de imprensa em Jerusalém na quinta-feira (28) um plano para anexação gradual de partes da Faixa de Gaza, para forçar a rendição do grupo. “O objetivo é vencer a guerra em Gaza até o final do ano e o plano terá início com um ultimato ao Hamas para se render, se desarmar e libertar os reféns que ainda estão no enclave palestino. Caso o grupo terrorista se negue, Israel anexará semanalmente uma parte do território durante quatro semanas", segundo noticiou o jornal The Times Of Israel.

 

Israel também anunciou ter recuperado os corpos de mais dois reféns em Gaza, mas não informou sobre onde foram encontrados. Um deles é Ilan Weiss, de 56 anos, morto durante o ataque ao kibutz Be`eri, mas a identidade do outro sequestrado ainda não foi divulgada.

Enquanto isso, agência das Nações Unidas alerta que a Faixa de Gaza está num ponto de ruptura. O aviso foi da diretora do Programa Alimentar Mundial (PAM), Cindy McCain, após uma visita ao território. "Encontrei crianças morrendo de fome e a receberem tratamentos para subnutrição grave e vi fotografias das mesmas quando estavam bem de saúde. Estão irreconhecíveis. O desespero está no auge e testemunhei em primeira mão", adiantou McCain.

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