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Especialista aponta 2026 como ano de volatilidade e defende foco em liquidez e gestão de riscos

Apresentação do CEO da Archx Capital, Leandro Miranda, foi realizada durante reunião da promovida pelo LIDE Pernambuco

Diario de Pernambuco

Publicado: 11/02/2026 às 21:20

Análise foi apresentada pelo CEO da Archx Capital, Leandro Miranda, durante o Almoço Empresarial, realizado na segunda-feira (9), promovido pelo LIDE Pernambuco
/Foto: Divulgação

Análise foi apresentada pelo CEO da Archx Capital, Leandro Miranda, durante o Almoço Empresarial, realizado na segunda-feira (9), promovido pelo LIDE Pernambuco (Foto: Divulgação)

A projeção para 2026 é de um cenário econômico global e nacional marcado por alta volatilidade e baixa previsibilidade. Diante disso, o contexto exigirá das empresas maior disciplina financeira e controle dos riscos e acesso a informações para a tomada de decisão. A análise foi apresentada pelo CEO da Archx Capital, Leandro Miranda, durante o Almoço Empresarial, realizado na segunda-feira (9), promovido pelo LIDE Pernambuco.

De acordo com Miranda, o ambiente econômico mundial é influenciado por fatores como o reordenamento geopolítico global, juros elevados, pressões inflacionárias persistentes e a fragmentação das cadeias produtivas. Esse conjunto de variáveis torna o processo decisório mais complexo e dependente de análises cuidadosas de cenário.

Capital mais caro

Na avaliação apresentada, o período de liquidez abundante observado no pós-pandemia ficou para trás. O mercado global opera agora em um ambiente de capital mais caro e seletivo, com menor tolerância a erros operacionais e estratégicos.

Como consequência disso, os investidores têm buscado diversificação de portfólio, reduzindo a concentração em dólar e ampliando a exposição a ativos considerados reservas de valor, como metais preciosos e insumos estratégicos ligados à transição energética e à inteligência artificial.

O especialista reforçou ainda que o aumento da relevância da geopolítica tem impacto direto sobre os fluxos de capital e o comportamento dos mercados, ampliando a instabilidade informacional e exigindo maior capacidade analítica por parte de empresas e investidores.

No cenário latino-americano, o CEO da Archx Capital apontou movimentos de reacomodação econômica em diferentes países. No caso da Argentina, indicadores oficiais e projeções recentes indicam a possibilidade de aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, com estimativas que se aproximam de 5% ao ano. Segundo o especialista, no entanto, essas projeções estão sujeitas a revisões conforme a evolução das condições macroeconômicas e institucionais.

Cenário nacional

Já para o Brasil, ele indica um ambiente de crescimento limitado como consequência das incertezas fiscais e pelo cenário internacional. Nesse contexto, a política monetária tende a seguir uma trajetória cautelosa, com redução gradual das taxas de juros, mantendo o custo do crédito elevado por um período mais prolongado.

Segundo Miranda, em cenários de baixa previsibilidade, a gestão financeira ganha ainda mais relevância. “Quando não é possível prever o cenário com clareza, as empresas precisam se preparar para diferentes possibilidades”, afirmou.

Entre as principais recomendações apresentadas aos empresários estão a priorização da liquidez, com reforço de caixa e disciplina financeira. Além da gestão contínua de riscos, como a exposição cambial, volatilidade de commodities, inadimplência e a realização de projeções recorrentes de fluxo de caixa, com horizonte mínimo de 12 meses.

Outras orientações incluem a revisão da carteira de clientes, com foco em margens sustentáveis e capacidade de pagamento, além da redução de estoques e do aumento da eficiência operacional, aproximando-se de modelos mais enxutos.

O executivo também ressaltou a importância de estruturas de controladoria robustas e do uso crescente da inteligência artificial aplicada à gestão financeira. “Não basta ter dados; é necessário que eles sejam consistentes e úteis para a tomada de decisão”, destacou.

Mesmo com o ambiente desafiador, a análise aponta que o mercado de capitais tende a ganhar relevância como alternativa de financiamento, especialmente para empresas com governança sólida, transparência e posicionamento estratégico claro. Nesse cenário, investidores estratégicos, capazes de compartilhar riscos e gerar sinergias, devem assumir papel mais relevante do que aportes exclusivamente financeiros.

Por fim, a análise também aponta que 2026 deverá ser um ano voltado à preservação, preparação e construção de opcionalidade, enquanto 2027 pode oferecer um ambiente mais favorável para crescimento, consolidações e aquisições, especialmente para empresas que mantiverem disciplina financeira e diversificação de fontes de capital.

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