Redução da taxa de juros deve elevar o poder de compra da população
Banco Central (BC) sinalizou redução da taxa de juros na próxima reunião do Copom prevista para março
Publicado: 03/02/2026 às 21:49
O Banco Central confirmou a flexibilização nos juros para a próxima reunião do Copom, em março (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
O Banco Central (BC) confirmou que irá reduzir a taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em março. A expectativa foi indicada na ata da última reunião divulgada nesta terça-feira (3). De acordo com o economista Alexsandro Roberto, professor do Centro Universitário Tiradentes (Unit), a queda dos juros deve aumentar o poder de compra da população e favorecer o crescimento da produção do país.
Na análise do economista, isso significa um alívio para o consumidor. “A redução dos juros vai beneficiar a população no momento do financiamento, por exemplo de um carro, e vai favorecer também quem tem dívida relacionada ao cartão de crédito. Ou seja, a redução dos juros faz a população querer consumir um pouco mais. Além disso, com as pessoas comprando mais, a tendência é uma produção maior e isso vai influenciar também no PIB e na geração de emprego”, aponta.
Na análise do economista, essa decisão era esperada porque a inflação já vinha em um ritmo desacelerado no Brasil. Na ata da reunião, o BC indicou uma flexibilização nos juros. Na ocasião, a taxa básica de juros foi mantida a 15% ao ano pela quinta vez seguida.
Apesar do BC não ter indicado o percentual da redução, segundo o professor, a expectativa é de que a taxa de juros seja de 0,25% ou de 0,5% ao ano. A previsão do mercado financeiro é de que a taxa Selic seja reduzida para 14,5% ao ano na próxima reunião do Copom, em março, e alcance 12,25% ao ano até o final de 2026.
Segundo o economista, outro fator que faz essa queda não ser ainda maior é a instabilidade econômica gerada pelo governo dos Estados Unidos, por exemplo, com as tarifas sobre a exportação de produtos, que afetou, principalmente, o setor de agronegócio brasileiro.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária (impacto da Selic para queda da inflação) mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o documento.
Meta
Ainda na ata da reunião, o BC reforça o cumprimento da meta definida para o ano. “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, disse.
Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O limite inferior é 1,5%, e o superior, 4,5%. Para 2026, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, está em 3,99%, ou seja, dentro da meta. (Com Agência Brasil).